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De acordo com São Mateus ela contém sete pedidos (Mt 6,7-15)... São Lucas é ainda mais econômico ao falar do Pai -nosso com apenas cinco petições (Lc 11,1-13).
É interessante observar que, de acordo com S. Mateus, as três primeiras petições dizem respeito a Deus: 1, Pai-nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, 2, venha a nós o vosso Reino 3, Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
As quatro últimas petições dizem respeito a nós: 1, O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje, 2, Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos a quem nos ofendeu, 3, E não nos deixeis cair em tentação, 4, Livra-nos do mal.
A oração é muito simples, bonita e completa. Iniciamos chamando Deus de Pai. É um privilégio chamar de Pai àquele que criou o céu e a terra; os mares, rios e montanhas. Mas esse privilégio foi dado por Ele mesmo, que nos ensinou a chamá-lo assim. Se Deus é nosso Pai, devemos viver como seus filhos e afastarmos de tudo aquilo que é indigno de quem quer ser filho do Pai Eterno.
Como o nome de Deus pode ser santificado se é Ele o santificador de todas as coisas? Bom, o nome de Deus pode ser santificado em nós. Não que Deus vá ganhar alguma coisa com isso. Sendo Deus, Ele já é pleno. Mas, com certeza, eu ganharei muito reconhecendo dentro de mim a importância desse nome. Quanto ao Reino de Deus, devo reconhecer que ele já está no meio de nós. Não está de forma plena, mas já podemos sentir sua presença. O próprio Cristo é o Reino de Deus cuja presença invocamos todos os dias. Queremos que Ele se torne cada vez mais presente e atuante em nossa realidade, vencendo e nos ajudando a vencer as forças do mal. Ao manifestar nosso desejo que a vontade de Deus seja cumprida lembramos o papel da Virgem Maria cuja alegria foi fazer a vontade de Deus. É como se ecoasse ainda hoje seu pedido nas bodas da Caná: faça tudo o que ele vos disser... Que a vontade de Deus seja cumprida na vida de cada um de nós e nos faça cada vez mais parecidos com Jesus, que veio para fazer a vontade do Pai... Somos pequenos e limitados. Por isso, precisamos do pão, todos os dias. Essa não é uma necessidade apenas minha. Mas, de todos nós. Por isso, ao pedir o pão, não devo fazê-lo de forma egoísta. O pão, além de ser uma necessidade, deveria ser direito de todos. Daí, nossa responsabilidade com uma melhor distribuição da renda e maior empenho para garantir as mesmas oportunidades para todos. Devemos lembrar também de Cristo nessa hora. Ele é o verdadeiro Pão vivo descido do céu... Ainda com a preocupação voltada para o outro devo reconhecer que sou pecador e com minhas ações estrago a convivência fraterna. Somente quem é humilde reconhece isso. Pedir perdão é reconhecer que erra e que é pequeno. O orgulhoso não reconhece nada disso. Quem pede perdão e reconhece seu erro deve estar disposto a perdoar também. A experiência da própria fraqueza leva-nos a reconhecer também a fraqueza do outro. Jesus sabia das nossas fragilidades e inclinações para o mal. Por isso, nos ensina a pedir proteção contra as múltiplas formas de tentações. O bem é uma realidade, mas infelizmente o mal também o é. Muitas vezes, somos arrastados por ele ainda sem querer, como dizia S. Paulo: "deixo de fazer o bem que quero e acabo fazendo o mal que não quero..." Deus está sempre disposto a nos fortalecer nesse combate contra o mal. Mas, de nada adianta pedir sua ajuda, se não houver de nossa parte um esforço nesse sentido. O Pai-nosso é uma oração curta e fácil de ser rezada. Apesar disso, rezamos de forma apressada e sem pensar no que dizemos. Talvez, tenhamos medo das conseqüências de rezá-lo bem, pois isso significaria uma completa mudança de vida da nossa parte...
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