 Em dias assim, não consigo escrever. Meu corpo está desequilibrado pelo peso da cabeça. Em cada passo que dou sinto deslocar uma placa tectônica. Não estou inspirado, a menos que desânimo seja inspiração. Vejo a montanha, a mesma que vi centenas de vezes, e a considero imensamente sem graça. Ela nada me diz de sua oculta beleza Revela apenas, uma fumaça que, de certo, brota da queimada de suas encostas. O céu, descumpre seu papel e também não me inspira. Não vejo nele uma única nuvem suspensa. Está azul. Só isso! É um azul "monotônico" que também nada me diz. O mundo, que me rodeia, está ruidoso demais! Motores roncam por toda parte, pessoas falam alto e meu ouvido grita por silêncio. Vou-me embora pra passárgada, ou melhor, não vou a lugar nenhum. Fico por aqui mesmo, até passar o efeito do remédio contra dor de cabeça. Hoje o "privilégio" é meu. E daí? Sou um vivente carente que respira e tem o direito "sagrado" de adoecer. Penso, logo tenho cabeça. E é por isso que ela dói... Ô vida!
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E é por isso e por outros tantos que a minha também dói.
Ô vida!