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A maritaca é conhecida pela sua capacidade de imitar a fala humana. Quando aprende a imitar os sons ninguém agüenta a barulhada que ela faz. A palavra "maritaca" também pode ser usada para difamar alguém que fala demais e cansa o ouvido alheio. Pois bem, um termo parecido com esse, foi usado pelos gregos, com relação a São Paulo. A palavra, empregada pelos epicureus (seguidores do filósofo Epicuro), era "spermalogos"= "coletor de sementes" ou gralha, que na gíria ateniense era o mesmo que tagarela. Os epicureus propunham como ideal de felicidade a libertação do medo e da morte e das falsas imagens das divindades...
Havia também nesse tempo, outro grupo influente. Era o grupo dos "estóicos". A palavra vem de "Stoa"ou pórtico, local preferido de suas reuniões. Os estóicos eram seguidores do filósofo Zenão e propunham como ideal de felicidade o "viver conforme a natureza", ou seja, segundo a lei universal que regula as coisas e os acontecimentos. Para esse grupo, São Paulo não passava de um propagandista de divindades (daimonia) estrangeiras. A "maritaca", no entanto, não deu sossego. Assim como o próprio filósofo Sócrates, Paulo pregava na praça, nos locais públicos e sinagogas. Talvez para ficar livres do tagarela, ou por mera curiosidade, convidaram-no para falar na "àgora"(praça pública) para a assembléia do conselho supremo, ou seja, o aerópago. Vale ressaltar, que nesse tempo, era o Império Romano que mandava no mundo. Atenas havia perdido hegemonia econômica e política. Só não havia perdido a pose. Em nome dela preferiram ignorar o discurso de São Paulo. Caçoaram dele e desprezaram-no por completo. Apenas uns "gatos pingados" acolheram a mensagem paulina. Impermeáveis ao Evangelho os atenienses fizeram com que Paulo mudasse muito sua pregação. Em Corinto, a próxima cidade visitada, o apóstolo parece não adotar com tanto gosto a beleza do discurso. Prefere anunciar o Cristo na cruz, loucura para os gregos e escândalo para os judeus ( 1ª Cor 1,23). Acho que não seria difícil fazer um paralelo entre o mundo de hoje e a sociedade ateniense da época da visita de S. Paulo. Percebemos com quanta curiosidade se busca, atualmente, pelas novas experiências religiosas. Busca-se preferencialmente uma "religião de estética". Muda-se facilmente o visual. O coração, no entanto, permanece o mesmo. Corremos o risco de ter muita aparência e pouca profundidade na vivência da religião. Muitos querem uma religião sem compromisso, sem culto, sem exigências, como se isso fosse possível. Existem também os descrentes de tudo. Nem mesmo um terremoto despertaria alguns para Deus. Julgam que tudo é relativo, que não é possível conhecer a verdade, pois, até ela, se existe, é relativa. Isso é uma contradição de performance! A sociedade parece que não mudou muito. Mas, será que ainda temos muitos "tagarelas" que incomodem e insistem na pregação do Evangelho? Sócrates, filósofo grego, dizia que sua missão se parecia a de uma mosca. Ferroava constantemente uma égua preguiçosa (Atenas) para fazê-la caminhar na busca do conhecimento. Com Paulo, não foi diferente. Sua pregação incomodou e apesar, do aparente fracasso, produziu seus resultados. Que o Senhor Jesus nos dê coragem para imitá-lo! |