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Os discípulos de Emaús não conseguiam esconder a decepção. Haviam esperado o tempo de uma vida e agora nada! Após o acirramento das perseguições e a instalação de uma crise, pensaram que, finalmente, o messias se manifestaria para colocar a casa em ordem. Mas, de nada lhes adiantaram alimentar tal esperança...
Já era o terceiro dia e o silêncio era total. Como puderam se enganar tanto com Jesus? Eles mesmos o viram multiplicar o pão, ressuscitar um morto, curar um leproso... Era, de fato, "um profeta poderoso em palavras e obras". Mas, daí, ser o messias esperado ia longa distância... Como se iludiram a tal ponto? É verdade que o seguiram até o calvário e pensavam que na última hora fosse descer da cruz e com grande poder destruir com um raio os inimigos. Além disso, se manifestaria do pináculo do templo e botaria os romanos em rota de fuga. Que desilusão! Perdidos e sem rumo eles é que estão, agora, em fuga. Fuga para Emaús. Cegos de dor nem perceberam que arranjaram companhia. Uma companhia desinformada, pelo visto. Aquele senhor que se pôs a caminhar com eles deveria ser o único forasteiro em Jerusalém a desconhecer a última notícia: a morte de Jesus. Conversa vai, conversa vem e nem viram a estrada passar. Chegaram ao destino e convidaram o estranho para se hospedar com eles. Ao partir o pão perceberam que o estranho, na verdade, era íntimo. Era o próprio Cristo que não pode mais ser retido por seus olhares! Sumiu como um raio. Então foi que perceberam o quanto seus corações queimavam, enquanto Jesus explicava-lhes as escrituras pela estrada. Em menos de minuto a decepção deu lugar a esperança e eles voltaram correndo para Jerusalém. Agora deveriam anunciar a boa notícia, ou seja, o Evangelho. Jesus não está morto. Está vivo e no meio de nós. Finalmente lembraram-se da palavra de Jesus: "Onde estiver dois ou três reunidos em meu nome eu estarei no meio deles..." No caminho de Emaús Jesus se revela aos seus de forma pedagógica. Primeiro pela palavra e depois ao partir o pão. Finalmente Jesus vai se revelar à Comunidade Apostólica reunida. Que bom seria, se ainda hoje, nosso coração se ardesse pela Palavra. Melhor ainda se reconhecêssemos a presença viva e real de Jesus em cada Eucaristia. Seria, no entanto, perfeito se tudo isso acontecesse na Comunidade, ou seja, na Igreja. Com perfeição podemos experimentar o Cristo vivo numa Igreja que ouve sua palavra, reparte o pão eucarístico e comunga a mesma fé. Pense nisso! |