
No tempo de Jesus, os judeus esperavam ansiosamente um messias que fosse um grande libertador político, afinal, Israel já não suportava mais a dominação externa. Alguns, certamente, esperavam que ele surgisse de uma família sacerdotal. O grupo dos fariseus, com certeza, esperava por um messias que fosse colocar a lei totalmente em prática. Talvez houvesse quem o esperasse de uma nobre família real...
Provavelmente, muitos alimentavam a esperança de que o messias fosse colocar em prática a seguinte citação do Profeta Isaías:
" O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Ele me ungiu. Enviou-me para dar uma boa notícia aos que sofrem curar os corações desgarrados, proclamar a anistia aos cativos e aos prisioneiros a liberdade, para proclamar o ano de graça do Senhor... (Is 61, 1ss).
Um dia Jesus entrou na sinagoga e leu exatamente esse trecho. Até aí tudo bem. O povo gostou de ver tanta sabedoria que saia de sua boca. Chegaram a ficar admirados (Lc 4, 21-30). O problema começou quando Jesus disse: "Hoje se cumpriu o que vocês acabaram de ouvir". Ora, era muita arrogância para aquele moço por demais conhecido no "pedaço". Afinal, não era ele o filho do Zé? Todos conheciam sua família e não podiam, em hipótese alguma, permitir aquela heresia... Quem ele pensava ser agora, esse nazareno, o messias? Um "pé rapado" poderia, por acaso, ser o grande messias esperado, libertador de Israel? Essa era boa! Natanael é que estava certo. De Nazaré poderia sair alguma coisa boa?(Jo 1, 46)
Para agravar mais ainda esse constrangimento, Jesus lembrou aos presentes que Israel não valorizava muitos os próprios filhos. Reaviou na memória deles dois fatos: um ocorrido com o profeta Elias e outro com Elizeu, que também era profeta. Havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias quando parou de chover por três anos e meio. Elias, no entanto, não foi mandado a nenhuma delas e sim à viúva de Sarepta, uma estrangeira. Essa viúva mesmo sendo estrangeira acreditou no profeta. Havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta
Eliseu, mas nenhum deles foi curado. Somente Naamã, um estrangeiro, um sírio, foi curado. Com tristeza Jesus concluiu: "nenhum profeta é bem aceito em sua terra".
Após esse pronunciamento Jesus atiçou o ânimo dos presentes e, por pouco, eles não o atiraram no esbarrancado. Jamais poderiam imaginar o tamanho da simplicidade do Filho de Deus. Se Ele fizesse alguma demonstração de grandeza ou extravagâncias, provavelmente tivesse sido aceito. Difícil era aceitá-lo ali, tão simples, tão normal! Não era ele o filho do Zé?
Santa Tereza dizia que Deus se esconde entre as panelas. Em outras palavras, Ele se nos revela na simplicidade das coisas. Às vezes, basta uma flor, uma pedra, ou mesmo a asa de uma borboleta para que você possa contemplar o infinito. Com espantosa simplicidade Deus nos revela toda sua grandeza e majestade. Pode estar plenamente na brisa, nos raios do sol ou no brilho do olhar de uma criança. Para encontrá-lo, no entanto, é preciso ser simples. Quem tem mania de grandeza dificilmente vai entender que a verdadeira grandeza é fazer-se pequeno!
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