
A Bíblia mostra um relato curioso envolvendo o advinho Balaão (Números, capítulo 22). Ele foi requisitado por Balac, rei de Moab, para amaldiçoar o povo de Israel nas proximidades de Jericó. O procedimento foi cuidadoso. Balac parece que não confiava nas forças humanas para combater os hebreus. Por isso, apela aos feiticeiros e advinhos, coisa que o faraó do Egito, também fizera no passado...
Mandou embaixadores levando dinheiro para contratar os serviços do profissional. Na primeira vez, o curandeiro recusou-se a ir. Teve "pressentimentos" negativos enquanto dormia. Na segunda vez, acabou aceitando a amarga proposta de lutar contra Deus. Enquanto punha-se em marcha acompanhado dos colaboradores, sua mula empacou-se, e por nada desse mundo, retomava o caminho. Ela via o anjo do Senhor com sua espada na mão. Por três vezes, Balaão quase matou o bicho de tanto bater-lhe. Não agüentando mais apanhar o inédito aconteceu: a mula falou! O feiticeiro nem se deu pelo inédito. Foi preciso que o anjo abrisse-lhe os olhos para que notasse sua presença. Nesse caso, o feitiço virou contra o feiticeiro. Quem saíra com a intenção de amaldiçoar, teve que abençoar por três vezes, o povo eleito!
Às vezes, penso que nos parecemos com Balaão. Gostamos de dar murros em pontas de facas não desistimos de certos objetivos nem que a vaca tussa. Pode acontecer que a vaca venha a tossir e ainda assim, a gente não reflita sobre a possibilidade de estarmos no caminho errado. Se Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo, Ele não há de cuidar também de nós? Então porque não confiar mais um pouquinho em sua providência? É claro que devemos lutar pelos nossos objetivos e pela realização de nossos sonhos. Mas, quando tudo parece dar errado, isso não pode ser um sinal de Deus? Quem sabe existe um anjo também em nosso caminho impedindo nossa passagem para o erro... Em vez de esfolar a mula, não seria melhor, tirar o cavalo da chuva?
A pobre mula de Balaão é que pagou o pato pela sua cegueira. Hoje temos outras mulas que sofrem com nossas obstinações. Talvez, sofra a mulher, os filhos, os empregados, ou a família toda. Alguns, para subir na vida ou alcançar os objetivos não se importam de causar terríveis sofrimentos aos outros. A mula de Balaão enxergava mais do que o dono. Na verdade, ele é que era o burro da história. Foi preciso uma intervenção direta de Deus para que mudasse seu propósito inicial. Os sinais, embora evidentes, não bastaram. Tome cuidado. Não espere a mula falar ou a galinha nascer dentes para mudar de opinião ou de trajetória...
Comentários
esse burro.Só preciso gritar.E também na minha vida existe um anjo, e agradeço muito a Deus por isso.Parabéns pelo que escreve.Abraços