Sábado, 11 de Abril de 2015

Crônicas

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Lótus

Gostar de escrever eu gosto e ideias até que as tenho. O problema é que elas fogem de mim como bicho do mato diante do caçador. Não é fácil domesticar as ideias e encarreirá-las numa ordem lógica que faça sentido ao leitor. Temo que a coisa fique desarranjada e sem nexo. Ainda agora me deu vontade de falar sobre uma flor sagrada, e linda, diga-se de passagem. Refiro-me à flor de Lótus.

Com o nome científico de Nymnphae (Ninfa) Lótus, a espécie é nativa do Continente Asiático e, popularmente, conhecida como lótus ou Flor de Buda. Ela representa pureza e espiritualidade. Floresce de forma magnífica sobre a superfície das águas, ainda que sujas e barrentas.  Suas raízes se prendem na lama enquanto a flor se abre sobre o espelho das  águas.  
A Flor de Lótus faz lembrar as pessoas que se destacam pelas virtudes apesar do passado sofrido e complicado que tiveram. Muitos santos e santas da Igreja foram semelhantes à flor de Lótus. Fizeram coisas lindas e maravilhosas sem que os sofrimentos os impedissem de tais realizações. Irmã Dulce, na Bahia, poderia ilustrar bem esse exemplo.
No mundo artístico também temos pessoas que se parecem à Lótus.  Lembro-me que, certa vez, apresentei um programa de rádio sobre um deles. Trata-se de “Noite Ilustrada”.  Noite Ilustrada é mineiro, de Pirapetinga. Nasceu em 1928 e teve uma infância extremamente sofrida. Seu nome de batismo era Márcio de Souza Marques. Filho de pais separados foi criado com a avó e passou por dois colégios internos no Rio de Janeiro. Foi no Rio que acabou entrando em contado com os moradores da Mangueira trabalhando numa loja de móveis da Vila Izabel.  Daí para o samba foi um pulo. Fez muito sucesso gravando diversos clássicos de nossa música como: Volta por cima, Naquela Mesa e Toalha de Mesa, Meus tempos de Criança e outros... Apesar da infância sofrida Noite Ilustrada deu a volta por cima e floriu no cenário da boa música nacional.

Alguns deuses e “santos” indianos são representados assentados sobre a Flor de Lótus. Ela separa o barro da vida da parte mais sublime. Aos deuses cabe a segunda parte. Mas, o convite permanece aberto a todos nós. É sempre possível aspirar pelas alturas ainda que estejamos, no momento, com os pés fincados na lama...

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