Sexta-Feira, 30 de Maio de 2014

Reflexões

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Atrás da carroça de feno, uma missa clandestina

São João Maria Vianney nasceu em 1786, em Dardilly – França, numa época muito difícil para a humanidade e para a Igreja. A França, naquele tempo, ditava as regras para a Europa e a Revolução Francesa deixou o país ainda mais dividido que antes. Diversas ideologias estavam em conflito e, quase todas pregavam um certo ateísmo ou, no mínimo, grande indiferença religiosa. Os ideais da Revolução – igualdade, liberdade, fraternidade – nunca foram colocados em prática, pois nesse “tempo de liberdade” a guilhotina nunca trabalhou tanto! Havia grande hostilidade ao papa e o clero ficou enfraquecido, confuso e dividido. Igrejas foram reduzidas à oficinas de trabalho e os pobres entregues à própria sorte.

No dia 02 de novembro de 1789, através de um decreto, a Assembleia Nacional Constituinte colocou à disposição da nação todos os bens eclesiásticos. Em 12 de julho de 1790, sem consultar Roma, a mesma Assembleia votou uma lei reorganizando a Igreja na França. As regiões eclesiásticas foram reorganizadas e os padres passaram a ser “funcionários públicos”, eleitos pelo povo e com juramento de obediência ao estado. Formaram-se então dois tipos de padres: juramentados e refratários. Os refratários passaram a viver na clandestinidade e foram muito perseguidos. Os juramentados ficaram divididos e muitos padres deixaram de exercer o ministérios retornando à casa dos pais.

Naquele tempo, a Religião Católica foi considerada, praticamente, fora da lei. Inúmeros padres e bispos foram assassinados, deportados ou expulsos do país.  Em 1793, o casamento dos padres juramentados tornou-se algo oficial. Para driblar tal ingerência do estado em assuntos eclesiásticos alguns padres jovens casaram-se com senhoras idosas  ou, simplesmente, deixaram o ministério. Mas, em todo esse tempo existiu uma “Igreja do silêncio” que salvou a fé de muita gente num período extremamente conturbado. Esses padres clandestinos celebravam as missas às escondidas, atendiam aos doentes e nas “catacumbas” exerciam um ministério de santidade.

Foi, exatamente, nessa época difícil que São João Maria Vianney foi chamado à santidade. Sua primeira catequese foi feita pelos pais Mateus Vianney e Dona Maria Beluse. A  primeira confissão foi atendida por um padre refratário na casa de seus pais em Dardilly quando ele tinha 11 anos. A primeira comunhão aconteceu dois anos depois em 1799.  Após os 11 anos ele foi morar em Ecully e, clandestinamente, fez a preparação para a primeira comunhão com Pe. Grosboz. No dia da primeira comunhão, para driblar a vigilância da polícia revolucionária, colocaram diante da casa onde seria a missa, uma enorme carroça de feno e passaram a descarregá-la na hora da cerimônia. Assim foi o início da formação religiosa daquele, que seria mais tarde, um modelo para todos os sacerdotes do mundo: São João Maria Vianney, o Cura D’Ars!


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